
Resposta rápida: gás encanado é mais prático e cobrado na conta mensal; botijão é mais flexível e você compra quando quiser. Encanado exige conversão do fogão por técnico, com kit de injetores da marca. Se o prédio já tem a rede pronta, o encanado costuma vencer pela conveniência.
São gases diferentes, não só entrega diferente
O botijão traz GLP, mais denso e com mais energia por volume. A rede traz gás natural, mais leve e com pressão menor. Por isso o fogão não passa de um para o outro sem trocar os injetores.
O fogão sai de fábrica preparado para GLP. Ao mudar para encanado, chame a assistência autorizada da marca com o código do modelo e peça o kit GN — inclui os injetores da mesa e o do forno, mais a regulagem da chama mínima.
Existe também o GLP encanado, comum em condomínios com central de botijões: nesse caso o gás é o mesmo do botijão e não há conversão.
A comparação prática
| Botijão | Encanado | |
| Como paga | à vista, quando compra | na conta mensal, por consumo |
| Acaba no meio do almoço | pode acontecer | não |
| Espaço na cozinha | o botijão ocupa lugar | nenhum |
| Instalação | mangueira e regulador | registro de parede e conversão |
| Mudança de casa | leva o botijão | fica tudo para trás |
| Disponibilidade | em qualquer bairro | só onde há rede |
| Conversão do fogão | nenhuma | necessária, se for gás natural |
Quem já tem a rede na parede raramente volta para o botijão. Quem não tem rede não deve escolher fogão pensando nela — escolha pelo forno e converta depois, se um dia chegar.
Por que nenhum site pode te dizer qual é mais barato
Você vai encontrar por aí afirmações categóricas dos dois lados. Ignore todas. A comparação depende de três variáveis que mudam por cidade e por mês, e nenhuma delas é nacional:
- O preço do botijão P13 na sua região. Varia enormemente entre estados e até entre bairros, conforme a distribuidora e o revendedor.
- A tarifa do metro cúbico da concessionária que atende a sua cidade. Cada estado tem a sua, com reajustes próprios.
- A taxa fixa mensal do gás encanado. A maioria das concessionárias cobra uma parcela fixa de disponibilidade, independentemente do consumo. Ela costuma ficar fora das comparações e é justamente o que pesa para quem consome pouco.
Por isso a única resposta honesta é um método, e não um número. Aqui está ele.
A conta, passo a passo, com os seus números
Passo 1 — descubra seu consumo diário de GLP.
kg por dia = 13 ÷ dias que o botijão durou
Se durou 26 dias, são 0,5 kg por dia. Multiplique por 30 e você tem o consumo mensal em quilos.
Passo 2 — calcule seu gasto mensal com botijão.
custo mensal = (consumo mensal em kg ÷ 13) × preço do botijão na sua região
Passo 3 — pegue o custo do encanado na sua conta ou com a concessionária. Você precisa de dois valores: o preço do metro cúbico e a taxa fixa mensal. Se você ainda não tem a rede, peça a simulação à concessionária local — elas fornecem.
Passo 4 — some o custo de entrada. Aqui está o que quase toda comparação esquece. Migrar para o encanado envolve, dependendo do caso: taxa de ligação, adequação da instalação interna e a conversão do fogão, que exige a troca dos injetores por profissional habilitado. Some isso e divida pelos meses que você pretende ficar no imóvel. É essa parcela mensalizada que entra na comparação.
Passo 5 — compare os totais mensais. Só agora.
Um alerta de leitura: se você mora de aluguel e pretende sair em pouco tempo, o custo de entrada dividido por poucos meses costuma inverter o resultado, mesmo que a tarifa do encanado seja favorável.

Onde comprar
Modelos de marcas que costumam ter kit de conversão para gás natural. Preço ao vivo. São links de afiliado: você paga o mesmo e o OndeAchar recebe uma comissão.
Opções no Mercado Livre
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O que sai mais barato?
Não dá para cravar, e desconfie de quem crava: o preço do botijão varia por região e revendedor, e a tarifa do gás encanado varia por distribuidora e por faixa de consumo. Não travamos preço aqui justamente porque a comparação envelhece em semanas.
O jeito honesto de fazer a conta na sua casa:
- Anote quanto tempo dura o seu botijão de 13 kg e o que você pagou nele.
- Pegue a tarifa por metro cúbico da distribuidora que atende o seu endereço.
- Converta: 13 kg de GLP rendem aproximadamente o mesmo trabalho que 16 a 18 m³ de gás natural.
- Some, do lado do encanado, a taxa fixa mensal e, uma única vez, o custo da conversão.
Segurança nos dois casos
Botijão fica sempre fora de armário fechado, em pé e ventilado. Encanado exige que o registro de parede feche de verdade — teste girando.
Nos dois, mangueira e regulador têm validade impressa na peça. Essa é a manutenção que quase todo mundo esquece e é a que evita acidente.
O que não é preço, mas pesa na decisão
Feita a conta, existem fatores que não aparecem nela e frequentemente decidem:
A favor do encanado. Nunca acaba no meio do preparo. Some o botijão da casa, o que resolve de vez a questão do armazenamento — as orientações técnicas pedem local ventilado naturalmente, com afastamentos de 1,5 m de ralos e janelas, 3 m de pontos de ignição e 6 m de chama aberta, condições difíceis de atender dentro de um apartamento. Municípios como São Paulo e Rio de Janeiro têm decretos que restringem cilindros dentro de edificações. E, onde há rede disponível, as orientações apontam para o uso dela, inclusive por questões de cobertura de seguro em caso de sinistro.
A favor do botijão. Não tem taxa fixa: você só gasta quando compra. Funciona em qualquer lugar, sem depender de rede. Não exige obra nem projeto. E a instalação é simples o bastante para o próprio morador fazer, desde que com mangueira e regulador dentro da validade e teste de estanqueidade feito.
Contra o encanado. Você fica dependente da rede: manutenção programada interrompe o fornecimento e não há reserva. Qualquer alteração exige profissional habilitado e segue as regras da concessionária. E a taxa fixa é cobrada mesmo em mês de pouco uso.
Contra o botijão. Acaba sempre na hora errada. Exige espaço adequado e seguro. E o preço oscila conforme o mercado, sem previsibilidade.
Na prática, quem consome pouco e mora de aluguel costuma ficar melhor no botijão. Quem consome bastante, mora em imóvel próprio e tem rede na porta costuma ficar melhor no encanado — mas confirme com os seus números antes.

Perguntas frequentes
Todo prédio com gás encanado usa gás natural?
Não. Muitos condomínios têm central de GLP, com o mesmo gás do botijão. Nesse caso o fogão não precisa de conversão. Pergunte à administração.
Posso converter o fogão sozinho?
Não é recomendado. Além de trocar os injetores da mesa e do forno, é preciso regular a chama mínima e testar vazamento.
A conversão tira a garantia?
Feita pela assistência autorizada, não. Feita por terceiro sem registro, costuma tirar. Guarde a ordem de serviço.
Se eu mudar de casa, o fogão convertido volta ao normal?
Volta, reinstalando os injetores de GLP. Por isso guarde os originais colados dentro do manual.
Preciso trocar de fogão para usar gás encanado?
Não. A grande maioria dos fogões aceita conversão: troca-se o conjunto de injetores pelo kit de gás natural. O serviço deve ser feito por profissional habilitado, que também regula a chama e refaz o teste de estanqueidade. Verifique se o kit acompanha o produto ou se é fornecido pela marca.
A taxa fixa é cobrada mesmo se eu não usar?
Na maioria das concessionárias, sim — é uma parcela de disponibilidade do serviço. Consulte as condições da distribuidora da sua cidade, porque o valor e as regras variam. Para quem cozinha pouco, essa parcela pode representar a maior parte da conta.
Gás encanado é mais seguro?
São riscos de natureza diferente. O gás natural é mais leve que o ar e tende a se dispersar para cima num vazamento; o GLP é mais pesado e se acumula no piso. Em contrapartida, a rede é permanentemente pressurizada. Nos dois casos, o que determina a segurança é a instalação conforme a NBR 13103 e a manutenção em dia.
Posso ter os dois?
Tecnicamente, um mesmo fogão opera com um gás por vez, conforme os injetores instalados. Manter um botijão de reserva para usar em manutenção da rede exigiria reconversão a cada troca, o que não é prático. Quem quer redundância costuma resolver com um cooktop portátil ou com um aparelho elétrico de bancada.
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Onde conferir: as tarifas de energia homologadas para cada distribuidora ficam no site da Aneel.
