
Resposta curta: se existe como levar um duto até a área externa, a coifa resolve melhor — ela tira o ar sujo da cozinha. Se não existe, o depurador é o que sobra: ele filtra gordura e parte do cheiro, mas devolve o mesmo ar ao ambiente, com o calor e a umidade junto. A escolha não é de gosto, é de obra.
A diferença é o destino do ar, não o formato
Coifa e depurador se parecem, custam faixas parecidas e ficam no mesmo lugar da cozinha. A diferença está no que acontece depois que o ar entra no aparelho.
A coifa exaure. Ela puxa o ar com fumaça, gordura, cheiro, calor e vapor e joga tudo para fora, por um duto. O ar que saiu da cozinha não volta.
O depurador recircula. Ele puxa o mesmo ar, passa por um filtro de alumínio (que retém gordura) e por um filtro de carvão ativado (que retém parte do odor), e devolve o ar à cozinha. Gordura e cheiro diminuem. Calor e umidade continuam ali — não há para onde irem.
É por isso que quem cozinha muito e mora em apartamento fechado sente que “o depurador não resolve”: ele nunca prometeu tirar o calor. Só que ninguém explica isso na loja.
Comparação direta
| Critério | Coifa (com duto) | Depurador (recirculação) |
|---|---|---|
| Destino do ar | Sai do imóvel | Volta para a cozinha |
| Tira gordura | Sim | Sim, pelo filtro de alumínio |
| Tira cheiro | Sim, por completo | Parcialmente, enquanto o carvão durar |
| Tira calor e vapor | Sim | Não |
| Precisa de obra | Sim — furo e duto até a área externa | Não |
| Custo depois da compra | Limpeza do filtro de alumínio | Filtro de carvão, trocado periodicamente |
| Condomínio | Pode exigir autorização para o furo na fachada | Não envolve fachada |
Escolha pelo seu contexto
- Casa, ou apartamento com parede externa livre na cozinha: coifa com duto. É a única que tira calor e umidade.
- Apartamento sem parede externa, ou com o fogão numa ilha no meio da cozinha: na prática, depurador — a menos que a obra permita subir o duto pelo forro.
- Cozinha americana integrada à sala: coifa, sem hesitar. O que o depurador devolve ao ar vai para o sofá.
- Você cozinha fritura, refogado e churrasqueira elétrica com frequência: coifa. Gordura em suspensão é o que o carvão satura mais rápido.
- Você usa a cozinha para refeições simples e rápidas: depurador dá conta, e evita obra.
O número que decide, e que quase ninguém calcula
Vazão é o quanto de ar o aparelho move por hora, em m³/h. A conta para uso residencial é direta:
comprimento × largura × pé-direito × 12 = vazão mínima em m³/h
O 12 são as renovações de ar por hora recomendadas para cozinha residencial. Numa cozinha de 4 m × 4 m com pé-direito de 2,50 m, são 40 m³ de volume — ou seja, 480 m³/h de vazão mínima. Numa cozinha maior, de 5 m × 4 m com pé-direito de 2,70 m, são 54 m³, ou 648 m³/h.
E aqui entra o detalhe que muda a compra: some uma folga. Cada metro de duto, cada curva e cada tela na saída tiram vazão. Para os 648 m³/h do exemplo, o razoável é procurar um equipamento de 700 a 900 m³/h.
Por que a vazão da etiqueta decepciona na prática
Existe uma norma internacional para medir desempenho de coifa — a IEC 61591, “Cooking fume extractors — Methods for measuring performance”. Ela mede o aparelho em condição parecida com a instalação real, com duto acoplado.
Só que, no Brasil, o número que costuma aparecer na etiqueta é a vazão livre: medida com o aparelho sem duto nenhum, no melhor cenário possível. É um número verdadeiro e, ao mesmo tempo, otimista — porque ninguém usa coifa sem duto.
Não é fraude. É método de medição diferente. Mas explica por que uma coifa “de 800 m³/h” entrega bem menos depois de instalada com três metros de duto e duas curvas.
📏 O que fazer com isso: não escolha pelo maior número da caixa. Calcule o que a sua cozinha pede, some folga para o duto e desconfie de vazão alta em aparelho de motor pequeno.
O que um teste independente já mostrou
A Proteste testou coifas de seis marcas — Brastemp, Consul, Electrolux, Fischer, Suggar e Tramontina — e publicou o resultado em maio de 2015. O teste é antigo e os modelos saíram de linha, então não serve para escolher produto hoje. Mas duas conclusões dele continuam úteis, porque são sobre método, não sobre modelo:
- Potência de etiqueta não é potência medida. Um dos modelos declarava 290 W e mediu 133 W. Outro declarava 255 W e mediu 183 W. Um terceiro ficou a 3,8% do declarado — ou seja, dá para acertar, mas não é garantido.
- Coifa é barulhenta. Os aparelhos ficaram entre 66,1 e 70,1 decibéis na potência máxima. Nenhum era silencioso.
E nenhum dos modelos foi considerado bom o suficiente para ser recomendado. Isso foi em 2015 e a categoria mudou desde então — mas vale como aviso: coifa é o eletrodoméstico de cozinha com a maior distância entre o que a caixa promete e o que o aparelho entrega.
Um dado que também envelheceu bem: o consumo. O modelo mais gastador do teste ficou em 8,5 kWh por mês, algo como R$ 5 na conta de luz da época; o mais econômico, perto de R$ 2. Proporcionalmente, coifa continua sendo um aparelho de consumo baixo. Conta de luz não é motivo para escolher entre coifa e depurador.

O que não deve entrar na conta
- Número de velocidades. Três ou quatro velocidades não diz nada sobre vazão. Quase todo mundo usa uma só.
- Painel touch. É conforto, e é a peça que mais dá defeito na assistência. Botão físico dura mais.
- Vidro curvo. É estética. Não muda captação.
- Consumo de energia. Como o teste mostrou, a diferença entre o mais e o menos econômico é de poucos reais por mês.
Assistência técnica: o que decide depois da compra
Coifa tem duas peças que falham: o motor e a placa eletrônica. Nenhuma das duas é peça de prateleira. Antes de fechar, verifique se a marca tem autorizada na sua cidade — em coifa isso pesa mais que em fogão, porque o aparelho fica preso na parede ou no teto e a visita técnica é obrigatória.
Marcas com rede ampla no Brasil (Electrolux, Brastemp, Consul) tendem a resolver mais rápido que importadas e marcas de nicho, mesmo quando a ficha técnica da concorrente parece melhor.
Garantia: leia o que está fora
Dois pontos que costumam surpreender:
- Filtro é consumível. Filtro de carvão saturado não é defeito — é uso. Não entra em garantia.
- Instalação fora da especificação anula. Duto mais longo que o máximo indicado no manual, ou com curvas demais, é motivo documentado de recusa. Guarde o manual e a nota do instalador.
Onde comprar
Se você chegou à conclusão de que precisa de coifa, esta é a que selecionamos na nossa curadoria — modelo de parede de 90 cm, tamanho que atende cooktop de 5 bocas:
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Perguntas frequentes
Depurador tira cheiro de fritura?
Reduz, não elimina. O filtro de carvão retém parte dos compostos de odor enquanto está saturando. Depois de saturado, o cheiro volta a circular — e o filtro não avisa. A troca é por tempo de uso, conforme o manual.
Dá para transformar uma coifa em depurador?
Na maioria dos modelos, sim. Vários saem de fábrica preparados para os dois modos e aceitam um kit de recirculação com filtro de carvão. Confirme no manual antes de comprar — nem todos aceitam.
Coifa precisa de saída para fora obrigatoriamente?
Para funcionar como coifa, sim. Sem duto ela vira depurador, com o desempenho de depurador.
Qual a altura certa para instalar?
Sobre fogão a gás, de 65 a 75 cm da boca até a base da coifa — mais perto do teto do intervalo se os queimadores forem potentes. Sobre cooktop de indução, como não há chama, dá para baixar: 55 a 65 cm. E alinhe o centro da coifa com o centro dos queimadores.
