
Resposta curta: o cooktop de indução puxa muito watt, mas gasta pouca energia — e essas duas coisas não são a mesma. Num teste comparativo da DECO Proteste, a indução consumiu 469 kWh por ano contra 1.477 kWh de energia no fogão a gás para o mesmo trabalho: cerca de três vezes menos. No Brasil, se a conta fecha a favor depende da relação entre a sua tarifa de luz e o preço do botijão na sua cidade — e a conta está aqui embaixo para você fazer.
Por que parece que o cooktop vai estourar a conta
O susto vem da etiqueta. Uma boca grande de indução trabalha na faixa de 2.000 a 3.000 W. Um chuveiro elétrico fica entre 4.500 e 7.500 W. A comparação assusta — parece que você instalou meio chuveiro na bancada.
Só que potência não é consumo. Potência é a velocidade com que o aparelho puxa energia; consumo é potência multiplicada pelo tempo. E é exatamente no tempo que a indução ganha: ela ferve a água muito mais rápido que o gás, e desliga antes.
É a mesma lógica de um carro: o que gasta combustível não é a potência do motor, é quanto tempo você fica com o pé no acelerador.
O número que resolve: eficiência
A diferença real entre as tecnologias não está na potência, está em quanto da energia vira calor na panela — e quanto se perde no caminho.
- Fogão a gás: a chama envolve a panela e boa parte do calor sobe pelas laterais, aquecendo a cozinha em vez da comida.
- Cooktop elétrico comum (vitrocerâmico): aquece a placa, a placa aquece a panela. Duas etapas, duas perdas.
- Indução: o campo magnético aquece o fundo da própria panela. Não há chama, não há placa intermediária, quase nada se perde para o ambiente.
É por isso que o vidro da indução fica morno em vez de quente: o calor que você sente é o que a panela devolveu, não o que o aparelho gerou.
O que um teste comparativo mediu
A DECO Proteste, entidade portuguesa de defesa do consumidor, comparou o consumo anual das três tecnologias:
| Tecnologia | Energia por ano | Emissão de CO₂ |
|---|---|---|
| Indução | 469 kWh | 68 kg |
| Vitrocerâmico | 710 kWh | 102 kg |
| Gás | 1.477 kWh | 251 a 298 kg |
Para cozinhar a mesma coisa, a indução usou cerca de um terço da energia do gás e dois terços da do vitrocerâmico.
⚠️ Leia com atenção: esse teste é português, com hábito de cozinha e tarifas de lá. O que atravessa para o Brasil é a relação entre as tecnologias — que é física, não mercado. Os custos em euro não valem aqui, e por isso a conta abaixo é feita com números brasileiros.
A conta no Brasil, passo a passo
A fórmula do consumo é sempre a mesma:
potência (kW) × horas de uso × tarifa (R$/kWh) = custo
Exemplo de um dia comum, numa boca de 2.000 W usada 40 minutos:
- 2.000 W = 2 kW
- 40 minutos = 0,67 hora
- 2 × 0,67 = 1,34 kWh no dia
- × 30 dias = 40,2 kWh no mês
Agora multiplique pela sua tarifa. As tarifas residenciais convencionais no Brasil, antes de impostos, vão de cerca de R$ 0,41 a R$ 1,48 por kWh conforme a distribuidora e a região — com o Sul na ponta mais barata e parte do Sudeste na mais cara.
| Tarifa (com impostos, aproximada) | 40 kWh/mês custam |
|---|---|
| R$ 0,70 / kWh | R$ 28 |
| R$ 0,90 / kWh | R$ 36 |
| R$ 1,10 / kWh | R$ 44 |
| R$ 1,40 / kWh | R$ 56 |
Pegue a sua conta de luz e divida o valor total pelo consumo em kWh. É a única tarifa que importa — a sua, com impostos e bandeira, não a média nacional.
E do outro lado, o botijão
Segundo o levantamento da ANP, o botijão de 13 kg custou em média entre R$ 112 e R$ 118 no Brasil em 2026, com variação de cerca de R$ 110 a R$ 185 conforme a região e o revendedor.
A conta do gás é mais simples de fazer na prática: divida o preço do botijão pelo número de meses que ele dura na sua casa. Um casal que cozinha pouco pode fazer um botijão durar quatro ou cinco meses — algo entre R$ 22 e R$ 30 por mês. Uma família que cozinha todo dia troca a cada dois meses, ou menos.
📏 A comparação honesta: na maioria das casas brasileiras, a diferença de custo mensal entre indução e gás é de algumas dezenas de reais — não de centenas. Quem espera economia dramática vai se decepcionar; quem espera um desastre na conta também.
O custo que ninguém soma: a instalação elétrica
Aqui está a despesa que muda a conta de verdade — e ela é de uma vez só, não mensal.
Um cooktop de indução de 4 bocas pode pedir mais de 7.000 W na potência máxima. Isso quase nunca cabe na fiação existente de uma cozinha comum. Na prática, costuma exigir:
- Circuito exclusivo saindo do quadro, com cabo de bitola compatível.
- Disjuntor dedicado, dimensionado pela potência do aparelho.
- Confirmação da tensão — muitos modelos são só 220 V.
Nunca ligue cooktop de indução em extensão, benjamim ou tomada compartilhada. Não é conselho de manual, é risco de incêndio.
E o custo das panelas
Indução só funciona com panela ferromagnética: ferro, aço carbono e a maioria dos inox com fundo magnético. Alumínio, cobre e vidro não funcionam — o campo simplesmente não acopla.
O teste é de dez segundos: encoste um ímã de geladeira no fundo da panela. Se grudar firme, serve. Se escorregar, não serve.
Para muita gente isso significa trocar parte do jogo de panelas — e é uma despesa que pertence à conta da mudança, mesmo que ninguém coloque na planilha.
Cinco hábitos que cortam o consumo, em qualquer tecnologia
- Tampe a panela. É o gesto de maior retorno da cozinha: água tampada ferve em muito menos tempo, com qualquer fonte de calor.
- Use a panela do tamanho da boca. Panela pequena em boca grande desperdiça; no gás, a chama sobe pelas laterais e vai embora.
- Desligue antes de terminar. A indução e o vitrocerâmico guardam calor residual suficiente para os últimos minutos.
- Não ferva mais água do que precisa. Água a mais é energia a mais, sempre.
- Panela de pressão para o que demora. Feijão e carne dura consomem uma fração do tempo — e do dinheiro.
O que não deve entrar na conta
- “Indução é caro porque a etiqueta mostra 7.000 W.” Essa é a potência máxima somada de todas as bocas, com tudo no talo — cenário que praticamente não acontece.
- Selo Procel comparando categorias diferentes. O selo compara aparelhos parecidos entre si, não indução contra gás.
- Número de bocas. Você paga pelas que usa, não pelas que tem.
- Timer e painel touch. Não mudam consumo — e o touch é a peça que mais aparece em assistência técnica.

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Perguntas frequentes
Cooktop de indução gasta muita energia?
Ele puxa muita potência, mas consome pouca energia, porque quase nada se perde e o tempo de uso é menor. No teste da DECO Proteste, usou cerca de um terço da energia do gás para o mesmo trabalho.
Compensa trocar o fogão a gás por indução só para economizar?
Na maioria das casas, não — a diferença mensal é de algumas dezenas de reais, e o investimento inicial inclui instalação elétrica e panelas novas. Compensa por outros motivos: velocidade, controle de temperatura, segurança e limpeza.
Quanto o cooktop de indução aumenta a conta de luz?
Depende do seu uso e da sua tarifa. Faça a conta: potência em kW × horas por dia × 30 × sua tarifa. Um uso comum, de 40 minutos por dia numa boca de 2.000 W, dá cerca de 40 kWh por mês.
Cooktop elétrico comum gasta mais que indução?
Gasta. No mesmo teste, o vitrocerâmico consumiu 710 kWh por ano contra 469 kWh da indução — cerca de 50% a mais, porque precisa aquecer a placa antes de aquecer a panela.

