Resposta rápida: entre uma geladeira Selo Procel A e uma Selo B de mesma litragem, a diferença real fica entre 8 e 15 kWh por mês — de R$ 6 a R$ 12 por mês a R$ 0,80/kWh, ou R$ 77 a R$ 144 por ano. Em 10 anos de uso, isso soma de R$ 770 a R$ 1.440. Vale pagar mais pela classe A quando a diferença de preço entre os dois modelos for menor que R$ 800. Atenção à armadilha: a classe é relativa ao porte do aparelho — uma side by side classe A pode gastar mais kWh/mês que uma duplex classe B.
O que o Selo Procel realmente mede
O Selo Procel classifica a eficiência do aparelho dentro da sua própria categoria e faixa de volume. Ele responde “esta geladeira é eficiente para o tamanho que tem?”, e não “esta geladeira gasta pouco?”. Por isso a comparação entre classes só faz sentido entre modelos de porte parecido.
O número que importa de verdade está logo abaixo do selo, na etiqueta INMETRO: o consumo em kWh/mês. É esse valor que entra na conta de luz — e é o único comparável entre aparelhos diferentes.
Quanto o selo muda na conta, em números
| Cenário (duplex 380 a 400 L) | Consumo | Custo/mês a R$ 0,80/kWh | Custo em 10 anos |
|---|---|---|---|
| Selo A eficiente | 35 kWh/mês | R$ 28 | R$ 3.360 |
| Selo A comum | 42 kWh/mês | R$ 34 | R$ 4.030 |
| Selo B | 50 kWh/mês | R$ 40 | R$ 4.800 |
| Diferença A eficiente x B | 15 kWh/mês | R$ 12 | R$ 1.440 |
A conta é sempre a mesma: kWh/mês da etiqueta multiplicado pela tarifa da sua distribuidora. Se a sua tarifa é R$ 1,00/kWh, some 25% a todos os valores da tabela.
Quando vale pagar mais pela classe A
- Calcule a diferença de consumo entre os dois modelos: kWh/mês do B menos kWh/mês do A.
- Multiplique pela sua tarifa e por 120 (10 anos de vida útil típica). O resultado é a economia total.
- Compare com a diferença de preço. Se a economia for maior, a classe A se paga. Na prática, diferença de preço abaixo de R$ 800 quase sempre compensa.
- Considere quanto tempo você vai ficar com o aparelho. Quem troca a cada 5 anos corta a economia pela metade.
Onde comprar
Os modelos abaixo são os que aparecem com mais frequência com Selo A na faixa intermediária: Consul CRM44MB (377 L) e CRM53MK (455 L), Brastemp BRM46MB e BRM46MK (385 L) e Electrolux ES40S (431 L). Confira o kWh/mês na página de cada um antes de decidir.
A armadilha da classe A em aparelho grande
Selo A não significa consumo baixo em termos absolutos. Uma side by side de 510 litros classe A costuma passar de 60 kWh/mês, enquanto uma duplex de 385 litros classe B fica perto de 50 kWh/mês. Ou seja: o aparelho com a pior classe gasta menos dinheiro por mês, simplesmente porque é menor.
A regra prática: use a classe para escolher dentro da mesma categoria e litragem; use o kWh/mês para comparar categorias diferentes.
O que também muda o consumo, além do selo
- Instalação: os 5 cm de folga nas laterais e no fundo. Encostada na parede, qualquer classe A consome mais.
- Vedação da porta: borracha ressecada é o defeito mais silencioso e mais caro do dia a dia. Faça o teste da folha de papel a cada 6 meses.
- Serpentina suja: poeira atrapalha a troca de calor. Limpe a cada 6 meses.
- Temperatura ajustada: 3 a 5 °C no refrigerador e -18 °C no freezer. Mais frio que isso só aumenta a conta.
- Local: geladeira perto do fogão ou no sol trabalha mais o dia inteiro.
Onde o selo pesa muito e onde pesa pouco
Uma coisa que ajuda a calibrar a decisão: a classificação não tem o mesmo peso em todos os eletrodomésticos. O que define isso é quantas horas por ano o aparelho fica ligado.
Geladeira e freezer: peso máximo
São os únicos aparelhos que ficam ligados 24 horas por dia, 365 dias por ano. Nenhum outro chega perto disso. Por isso, uma diferença pequena de eficiência se multiplica por milhares de horas e vira dinheiro de verdade na conta. Se você só for olhar o selo de um aparelho da casa, olhe o da geladeira.
Ar-condicionado: peso alto, mas sazonal
Consome muito por hora, mas o número de horas depende do clima e do hábito. Em cidade quente, com uso diário boa parte do ano, o selo pesa quase tanto quanto na geladeira. Em cidade de clima ameno, com uso de poucas semanas por ano, pesa bem menos.
Máquina de lavar: peso médio
O gasto elétrico maior está no aquecimento da água, e a maioria das máquinas domésticas no Brasil lava com água fria. Isso reduz bastante a diferença entre classes. Aqui, o consumo de água costuma ser o critério mais relevante que o de energia.
Micro-ondas, air fryer e forno elétrico: peso baixo
Potência alta, mas uso de minutos por dia. A diferença entre uma classe e outra some diante da diferença de preço. Nesses aparelhos, priorize desempenho e durabilidade.
Televisão: peso baixo hoje
As tecnologias atuais consomem muito menos que as antigas, e a diferença entre classes ficou pequena em termos absolutos.
A conclusão prática: concentre o esforço de comparação na geladeira e no ar-condicionado. É onde a diferença de classe se paga. Nos demais, o selo é informação útil, mas não deve mandar na decisão.
Como fazer o aparelho entregar o consumo do selo
Existe uma distância comum entre o consumo declarado e o que aparece na sua conta. Ela não é erro do fabricante nem do selo — o ensaio é feito em condição controlada, e a sua cozinha não é o laboratório. A boa notícia é que quase toda essa diferença é recuperável.
Ventilação em volta. O aparelho precisa da folga indicada no manual nas laterais, no fundo e no topo para dissipar calor. Encaixado sem respiro entre armários, o compressor trabalha mais tempo pelo mesmo resultado. É o fator isolado que mais afasta o consumo real do declarado.
Serpentina traseira limpa. A grade preta atrás do aparelho é onde o calor sai. Coberta de poeira e pelo de animal, ela não consegue trocar calor. Uma aspirada uma ou duas vezes por ano, com o aparelho desligado da tomada, resolve. Em modelos com condensador embutido, a limpeza é do rodapé e da lateral.
Vedação da porta. Prenda uma folha de papel ao fechar e puxe: se sair sem resistência, aquele trecho não veda. Borracha suja ou ressecada deixa entrar ar quente continuamente, e o compressor nunca descansa. É a causa silenciosa mais comum de consumo alto.
Temperatura do ambiente. A troca de calor depende da diferença entre o interior e o ambiente. Aparelho em área de serviço fechada que pega sol da tarde consome bem mais que o mesmo modelo em cozinha ventilada. Se não dá para mudar o local, melhore a ventilação e sombreie a janela.
Regulagem exagerada. Colocar o termostato no ponto mais frio “por segurança” aumenta o consumo sem benefício. A posição intermediária atende à maior parte dos casos; ajuste só se houver sintoma real.
Hábito de abertura. Cada abertura entra ar quente e úmido. Decidir o que vai pegar antes de abrir a porta é um hábito bobo que reduz carga de trabalho do aparelho ao longo do ano.
Feitos esses ajustes, o consumo real se aproxima bastante do declarado — e aí, sim, a diferença entre classe A e B na etiqueta se traduz na sua conta do jeito que o cálculo previa.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre Selo A e Selo B na prática?
Entre 8 e 15 kWh/mês em modelos de mesma litragem, o que dá de R$ 6 a R$ 12 por mês a R$ 0,80/kWh e de R$ 770 a R$ 1.440 em 10 anos.
Geladeira classe A gasta pouca energia?
Gasta pouco para o tamanho dela. A classe é relativa ao porte: uma side by side classe A pode consumir mais kWh/mês que uma duplex classe B. Compare sempre o kWh/mês, não só a letra.
Vale a pena pagar mais caro por uma geladeira classe A?
Vale quando a diferença de preço é menor que a economia acumulada. Como referência, diferença abaixo de R$ 800 entre um A e um B de mesma litragem quase sempre se paga ao longo da vida útil.
Onde vejo o consumo em kWh/mês?
Na etiqueta INMETRO colada no aparelho, no manual e na ficha técnica do anúncio. É um número único por modelo, cor e voltagem.
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Onde conferir: as tarifas de energia homologadas para cada distribuidora ficam no site da Aneel.

